Gato-Bravo (Felis silvestris var. silvestris)
Integrado no projecto de conservação da natureza da Herdade Freixo do Meio para preservar a paisagem e a biodiversidade, a AmBioDiv-Valor Natural desenvolveu um Plano de Acção para a Conservação do gato-bravo nesta área.
O Gato-Bravo, subespécie Gato-Bravo-Europeu pode ser considerado uma espécie emblemática, bem conhecida pelas populações locais.
Gato-Bravo (Felis silvestris var. silvestris) Identificação/Descrição
O Gato-Bravo é um carnívoro de médio porte, com cerca de 60 a 110 cm e pesa aproximadamente 3 a 4 kg. É semelhante ao gato doméstico, sendo mais robusto e com pelagem listada ou malhada. A cauda é mais curta, cilíndrica e espessa com três ou cinco anéis bem espaçados e extremidade arredondada. Tem olhos cor de âmbar, nariz róseo e bigodes brancos e longos. Nas patas apresenta tufos com pelos interdigitais. É extremamente difícil de observar esta espécie na natureza, todavia é possível encontrar indícios da sua presença, como pegadas (quatro dedos e sem garras), excrementos compactos de forma cilíndrica.
Comportamento
O Gato-Bravo apresenta a máxima actividade nos períodos do amanhecer e ao anoitecer, altura mais favorável para caçar. Machos e fêmeas defendem territórios separados através do odor e marcas de garras. Apenas abandonam o seu território quando o alimento escasseia ou para encontrar um companheiro. Para se localizarem emitem vocalizações muito semelhantes às do gato doméstico, porém parecem ser mais agressivas.
Reprodução
Espécie solitária, no entanto, adopta uma estratégia reprodutiva poligâmica, podendo os machos acasalar durante todo o ano. A época de acasalamento ocorre de Janeiro a Março, correspondendo à época do cio (3 a 8 dias). O período de gestação dura cerca de 69 dias e a fêmea pode parir de uma a oito crias. A maturidade sexual é alcançada por volta dos 9-12 meses.
Habitat/Distribuição de habitats
Actualmente a distribuição de Gato-Bravo restringe-se a pequenas populações fragmentadas na Península Ibérica, França, Escócia, Bélgica, Luxemburgo, Itália, Alemanha, Polónia, Hungria, Eslováquia, Roménia, Ucrânia, Moldávia. Em Portugal, a sua distribuição não é conhecida com pormenor, porém existem registos de ocorrência de norte a sul do país. Esta espécie ocorre em regiões de baixa densidade humana, evitando ainda zonas de agricultura intensiva. Geralmente, esta espécie habita em zonas de matagais mediterrâneos, e com matos variados. Também se encontram em zonas rochosas envolvidas por mato ou em ribeiras. A proximidade de pontos de água é sempre uma constante, independentemente do habitat de ocorrência.
Estatuto de conservação
O Gato-bravo é actualmente considerado pelo livro vermelho da UICN dos vertebrados, uma espécie Vulnerável e foi-lhe atribuído o estatuto de Pouco Preocupante. A detenção de gatos-bravos é proibida pela Convenção Internacional de Comércio de espécies e a destruição dos seus habitats está também proibida pela Directiva Habitats.
Principais ameaças
Actualmente a principal ameaça para o Gato-Bravo é o problema do cruzamento com o gato doméstico (hibridação), que poderá estar a contribuir para o desaparecimento da pureza da espécie. Outras ameaças estão associadas à destruição de habitats, caça, diminuição das populações de presas, principalmente das populações de coelho-bravo e atropelamentos.
Medidas de conservação
As medidas de conservação propostas para a herdade Freixo do Meio, visam as questões de ordenamento da paisagem, nomeadamente a manutenção e melhoria das zonas de matos, zonas que oferecem abrigo ao Gato-Bravo. Destaca-se também a importância das zonas ribeirinhas, pois representam locais de passagem obrigatória e bons locais de refúgio e de caça. Outra medida prende-se com a questão da dieta do Gato-Bravo, salientando-se a importância da manutenção das populações de roedores e coelho-bravo.
Registos de ocorrência de Gato-bravo na Herdade do Freixo do Meio |