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Define-se ausência de impacte ambiental como: (1) exploração dos recursos renováveis inferior ao seu ritmo de regeneração; ou (2) emissão de poluentes não persistentes inferior ao ritmo de assimilação pelo ambiente.
Por outro lado, existe impacte negativo para o consumo de recursos ou libertação de emissões superior a estes limiares, tal como na exploração de recursos não renováveis ou na emissão de poluentes persistentes. São estes impactes negativos que requerem compensação, mediante três mecanismos: (1) reduzindo os impactes provocados por outras actividades; (2) retirando os poluentes de forma permanente do ambiente; (3) criando condições para a exploração de recursos renováveis que substituam os recursos não renováveis utilizados. Nas condições em que estes mecanismos gerem efeitos ambientais positivos que compensem os negativos, temos um balanço líquido nulo, que definimos como Impacte Zero. O projecto Impacte Zero pretende contribuir para a implementação progressiva na sociedade portuguesa de mecanismos de compensação de impactes ambientais negativos através de impactes ambientais positivos. Os projectos elegíveis serão, por um lado, projectos realizados de raiz para o ano a que a compensação de impactes se refira, ou, por outro lado, projectos que já foram realizados sem qualquer incentivo económico ou institucional para isso. Desta forma, pretende-se recompensar os comummente designados por first movers, que frequentemente não obtêm retorno para as suas iniciativas.
A compensação será prioritariamente feita em explorações agrícolas em Portugal. Tal deve-se ao facto do sector agro-florestal ser aquele que possui ligações mais directas a efeitos ambientais muito superiores em relação aos custos envolvidos. Aplicação do conceito à compensação de impactes das facturas da EDP
Por forma a compensar os impactes do envio em papel das facturas mensais, durante a totalidade do ano de 2007, para os seus clientes, a EDP decidiu eleger a compensação por este conceito, através de um contrato estabelecido com o Instituto Superior Técnico (mais informações em www.edp.pt). Este caso permitiu refinar o método e determinar quais os passos a seguir para tornar esta forma de compensação viável e generalizada.
Inicialmente, foi necessário contabilizar os impactes dos materiais em questão, nomeadamente o papel e o plástico para o envelope e a factura. Foi também necessário adicionar o impacte da impressão da carta, e o impacte do transporte até ao cliente via CTT. Esta contabilização foi realizada mediante a utilização do software de Avaliação de Ciclo de Vida SimaPro 6.0 da Pré Consultants. Após conhecida a magnitude dos impactes, foi determinada uma lista de medidas para redução dos mesmos no futuro, e uma lista para compensação dos impactes no presente. As medidas de redução de impactes são:
Quanto aos projectos de redução de impacte, foram escolhidos os seguintes:
Os projectos a realizar nas herdades pertencentes ao grupo Sousa Cunhal para compensação dos impactes das facturas da EDP no ano de 2007 são três:
1. Água
2. Sementeira directa
3. Protecção de ninhos
Muitas espécies de aves nidificam em terrenos agrícolas. Enquanto algumas escolhem nidificar no estrato arbóreo, outros tipos de aves, de entre as quais se contam algumas espécies protegidas, nidificam em zonas abertas de culturas agrícolas. A intervenção em árvores com ninhos ou na sua envolvente em época de nidificação pode desestabilizar o processo, enquanto a colheita integral em zonas abertas com ninhos provoca, então, a destruição dos ninhos, muitas vezes com a morte por atropelamento das aves mais jovens que ainda não voam.
Para compensar os impactes sobre a biodiversidade do envio de facturas da EDP escolheu-se a protecção de ninhos. Neste projecto está contemplada a detecção de ninhos de espécies que nidificam no solo, bem como a compensação pelo isolamento da área em redor dos ninhos. O custo unitário do projecto é de 10 €/ha/ano, e admitiu-se um cenário de protecção numa área de 300 ha anualmente. |