
Pecuária extensiva na herdade do Freixo do Meio
A Herdade do Freixo do Meio adoptou como orientação estratégica fundamental a conversão para o modo de produção biológico a sua exploração e respectivos produtos vegetais e animais.
A Herdade do Freixo do Meio foi também pioneira na produção de carne fresca biológica certificada em Portugal, produzindo desde 2002 o primeiro produto do género: o peru preto. A oferta de carne fresca biológica foi alargada em 2003 ao borrego merino, ao bovino autóctone (mertolengo e barrosão), ao porco preto alentejano e ao cabrito serpentino.
No âmbito do Regulamento CEE/2082/92 a herdade do Freixo do Meio produz quatro bens certificados: o Borrego de Montemor-o-Novo IGP, a Vitela do Montado ETG, o Bovino Mertolengo DO e a Carne de Porco Raça Alentejana DO.
Produção animal
Os animais dispõem de uma área de movimentação livre, sendo o número de animais por unidade de superfície limitado de forma a garantir uma gestão integrada da produção animal e vegetal na unidade de produção, minimizando-se assim todas as formas de poluição, nomeadamente do solo, das águas superficiais e dos lençóis freáticos.
A quantidade do efectivo está estreitamente relacionada com as áreas disponíveis, de modo a evitar problemas de erosão e desgaste excessivo da vegetação e a permitir o espalhamento de estrume animal, afim de evitar prejuízos ambientais.
No âmbito da produção animal, todos os animais de uma mesma unidade de produção são criados de acordo com regras uniformes.
Na escolha das raças ou estirpes, tem-se em conta a capacidade de adaptação dos animais às condições locais, a sua vitalidade e a sua resistência às doenças. As raças ou estirpes de animais são além disso, seleccionadas de modo a evitar doenças ou problemas de saúde específicos associados a determinadas raças ou estirpes utilizados na produção intensiva (por exemplo, síndroma do stress dos suínos, síndroma da carne exsudativa (PSE), morte súbita, aborto espontâneo, partos difíceis exigindo cesarianas, etc). Dá-se preferência às raças e estirpes autóctones.
A alimentação destina-se a assegurar uma produção de qualidade e não a maximizar a produção, e respeita as exigências nutricionais dos animais nas diferentes fases do seu desenvolvimento. São autorizadas as práticas tradicionais de engorda, desde que sejam reversíveis em qualquer fase do processo de criação. Não é utilizada a alimentação forçada.
Os animais são alimentados com alimentos produzidos segundo o modo de produção biológico.
A prevenção de doenças baseia-se nos seguintes princípios:
• Aplicação de práticas de produção animal adequadas às exigências de cada espécie, fomentando uma elevada resistência às doenças e prevenção de infecções; • Utilização de alimentos de boa qualidade, juntamente com o exercício regular e o acesso à pastagem, com o objectivo de incentivar as defesas imunológicas naturais do animal; • Garantia de um encabeçamento adequado, evitando desse modo a sobre população e os problemas que daí podem decorrer para a saúde dos animais.
A utilização de medicamentos veterinários no modo de produção biológico obedece aos seguintes princípios:
• Os produtos fitoterapêuticos e os oligoelementos são utilizados de preferência aos medicamentos veterinários alopáticos de síntese química ou antibióticos, desde que os seus efeitos terapêuticos sejam eficazes para a espécie animal e para o problema a que o tratamento se destina; • Se a utilização dos produtos acima referidos não se revelar eficaz, ou se for provável que o não seja, para curar a doença ou a lesão, e se for essencial um tratamento para evitar o sofrimento ou a aflição do animal, são utilizados medicamentos veterinários alopáticos de síntese química ou antibióticos sob a responsabilidade de um veterinário; • Não são utilizados medicamentos veterinários alopáticos de síntese química e antibióticos nos tratamentos preventivos.
Para além dos princípios acima enumerados, aplicam-se as seguintes regras:
Não são utilizadas substâncias para estimular o crescimento ou a produção (incluindo antibióticos, coccidiostáticos e outras substâncias artificiais indutoras de crescimento) ou hormonas ou substâncias similares para controlar a ovulação (por exemplo, indução ou sincronização do cio) ou para outras finalidades.
São realizados tratamentos veterinários dos animais, bem como as desinfecções dos edifícios, do equipamento e das instalações, obrigatórios ao abrigo da legislação nacional ou comunitária, incluindo a utilização de medicamentos veterinários imunológicos caso seja reconhecida a presença
de uma doença numa zona específica em que se situa a unidade de produção. As condições de alojamento dos animais satisfazem as suas necessidades biológicas e etológicas (p. ex. necessidades comportamentais no que se refere à liberdade de movimentos adequada e ao conforto). Os animais têm acesso fácil aos pontos de alimentação e abeberamento. O isolamento, o aquecimento e a ventilação asseguram que a circulação do ar, o nível de poeiras, a temperatura, a humidade relativa do ar e a concentração em gases se situem dentro de limites que não sejam prejudiciais para os animais. Os edifícios permitem uma entrada de luz e uma ventilação natural suficiente.
A herdade do Freixo do Meio produz carne de bovino; ovino, caprino e suíno, vinculada exclusivamente á área que explora directamente, com as seguinte características:
 
Produção em regime extensivo:
Vacas - mais de 10 hectares de superfície forrageira por vaca.
Ovelhas e cabras - mais de 2,5 hectares de superfície forrageira por cabeça.
Porcos - mais de 3 hectares de superfície forrageira por porca.
Pastagens naturais e melhoradas por flora autóctone.
Auto-produção da totalidade dos produtos forrageiros utilizados
Efectivos em regime de pastoreio durante todo o ano.
Formulação Nutricional própria ajustada às forragens usadas.
Rastreabilidade da totalidade dos efectivos reprodutores.
Acompanhamento veterinário permanente por Médico Veterinário residente.
Cumprimento de Normas de Bem-estar Animal.
A totalidade da área forrageira explorada pela SC encontra-se em processo de conversão para o Modo de Produção Biológico certificado pela SATIVA.

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